Parto não medicado: porque escolhi viver esta experiência
Quando dizemos que o parto é nosso, muitas pessoas não compreendem a profundidade destas palavras. Mas eu aprendi, da forma mais dura, que quando nos tiram esse protagonismo, ficamos com marcas que podem durar anos.
Pedi epidural em modo de analgesia, mas recebi a dose de anestesia total. Perdi sensibilidade, perdi movimento, perdi o controlo. A última dose foi administrada minutos antes do meu bebé nascer e o efeito arrastou-se muito para além do período expulsivo. Não participei. Fiz força às cegas, sem saber se havia contração ou não. O bebé nasceu com ventosa, fizeram-me episiotomia sem qualquer explicação, e o desfecho foi um ano inteiro de fisioterapia pélvica.
Foi duro.
E foi a partir daí que eu decidi: o próximo parto teria de ser diferente.
O despertar
Queria que o meu parto fosse um momento meu. Queria decidir. Queria apoio, mas não imposição. Queria ser protagonista da minha própria história.
Parece simples, certo? Mas não foi.
A busca pelo profissional certo
Doía-me. Eu só queria a oportunidade de tentar parir por mim, com apoio, confiança e sem imposição. Era pedir assim tanto?
Acabámos por ser encaminhados por uma amiga para uma obstetra que nos acompanhou até ao fim. Mas confesso: a sua visão também estava limitada à indução. Ainda assim, segui em frente.
O grande dia
Durante o dia, fiquei em casa: bola de pilates, técnicas de respiração, compressão, aromaterapia, água quente (a minha melhor aliada). Estava preparada.
No hospital
Chegámos às 20h30. A enfermeira confirmou: 5 cm de dilatação, bebé cefálica, bolsa prestes a romper. E, para meu alívio, o plano de parto foi respeitado.
Nada de imposições. Perguntei se podia evitar o soro, e a resposta foi: “Claro.” Deram-me líquidos para beber e deixaram-me continuar a gerir o processo com o meu companheiro.
Às 23h30, pensei em desistir. A dor parecia insuportável, pedi epidural. Mas o meu companheiro estava preparado: sabia que aquele era o momento de transição, quando o corpo da mulher se prepara para o período expulsivo. E incentivou-me: “Estamos quase lá.”
A enfermeira confirmou: 8 cm. E nesse instante, ao levantar-me, a bolsa rompeu. Fui para o chuveiro - água quente :)
O clímax
Senti uma pressão avassaladora, o meu corpo contraiu sozinho. Não havia volta a dar: a minha bebé ia nascer.
Arrastei-me até à cama com medo de que ela viesse ali mesmo, no chuveiro. O quarto encheu-se de profissionais, mas todos com respeito, sempre a informar-me de cada toque, cada gesto.
O obstetra, o Dr. Dusan Djokovic, limitou-se a apoiar os tecidos para não rasgar. E foi só isso. O resto foi meu.
A verdade que aprendi
E, acima de tudo, é sobre uma mulher reencontrar o protagonismo que nunca deveria ter perdido.
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